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Importância da Produção Científica no Contexto Académico

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A revisão por pares na comunicação de um manuscripto científico é um processo que garante a qualidade e validação do trabalho do professor investigador e a taxa de rejeição de artigos é elevadíssima.

Por Maria H. José

A Faculdade de Humanidades, Artes, Educação e Formação de Professores realizou uma palestra sobre a Importância da Produção Científica no Contexto Académico, proferida pelo Mestre António Leopoldo Lopes Ferraz.

Na sequência da sua intervenção, entrevistámo-lo sobre a Importância da Produção Científica no Contexto Académico, um assunto que suscita alguma polémica no seio académico e não só.

O investigador afirma, que a produção científica é o principal factor de validação da qualidade do corpo de docentes. Defende, que a revisão por pares na comunicação de um manuscripto científico é o processo que garante a qualidade e validação do trabalho do professor investigador.

Segundo o nosso entrevistado, a taxa de rejeição de artigos é elevadíssima, referindo que na discussão de um artigo, a fim de aumentar o seu valor metodológico, o investigador deve referenciar de que forma os conhecimentos ou teorias desenvolvidas no manuscripto têm aplicação no contexto do estudo.

Quando interrogado sobre a investigação científica em Angola, realçou que não tem competências para avaliar a investigação científica em Angola, mas afirma que há ausência da mesma, nas universidades angolanas, nos principais rankings de qualificação das instituições internacionais.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

UniPiaget- Qual a importância da produção científica no contexto académico?

A.L.L.F.- No contexto actual, a produção científica é o principal factor de validação da qualidade do corpo de docentes e investigadores de qualquer instituição de acolhimento. Por outras palavras, os professores/investigadores quando publicam em revistas indexadas de elevado factor de impacto valorizam-se enquanto profissionais o que tem influencia o reconhecimento da própria instituição a que pertencem.

UniPiaget- Por que passos passa uma investigação científica?

A.L.L.F.- É difícil responder a esta questão em breves palavras uma vez que o processo de investigação científica requer vários prossupostos que devem ser consolidados ao longo das etapas dos diferentes ciclos de formação, nomeadamente licenciatura, mestrado e doutoramento. Mas de forma holística, se a questão é mais focada ao processo da criação de uma ideia de investigação até ser comunicada através de publicações científicas em revistas indexadas, podemos referir algumas etapas, nomeadamente: (1) A criação de enquadramento teórico (estado de arte) que deve abordar um ou vários objectivos a alcançar (problemática). (2) As teorias abordadas devem alicerçar métodos que eventualmente serão usados pelo/s investigador/s de forma a testar variáveis observadas de forma natural ou experimental. É importante lembrar que qualquer método utilizado deve ser devidamente fundamentando e deve respeitar os princípios de ética tais como os princípios da Declaração de Helsínquia, isto quando se trata de estudos com seres vivos. (3) Após a utilização dos diferentes métodos, sejam eles quantitativos ou qualitativos, passamos para a apresentação dos resultados e respectiva discussão, (4) na qual objectiva-se criar um ciclo de consolidação de teorias já existentes, ou a criação de novas através das suas respectivas aplicações práticas, ou seja, de que forma este novo conhecimento pode ser aplicado em determinado contexto!?. (5) Por fim, o processo mais difícil, a publicação do manuscripto (artigo científico) em revistas indexadas, que pelo seu processo editorial e de revisão por pares, darão consistência e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido.

UniPiaget- É obrigatório numa investigação a publicação e a revisão por pares?

A.L.L.F.- Assim como um estudante é avaliado pelo seu professor no seu processo de ensino-aprendizagem, o professor/investigador também é avaliado no seu processo de criação de conhecimento. A revisão por pares na comunicação de um manuscripto científico é processo que garante a qualidade e validação do trabalho do professor investigador. A taxa de rejeição de artigos é elevadíssima.

UniPiaget- O que é a estatística descritiva e inferencial numa investigação?

A.L.L.F.- A estatística descritiva pressupõe a organização e resumo de dados tendo como principal objectivo a caracterização de um determinado fenómeno. As ferramentas utilizadas para isso são as bem conhecidas tabelas de frequência; gráficos; cálculo de medidas de tendência central como média, mediana e moda; e cálculo de medidas de variação como variância e desvio padrão. Por outro lado, quando pretendemos estudar uma população a qual é impossível aceder a não ser através de uma amostra, temos de recorrer à estatística inferencial, a qual, através do método da probabilidade, procura comparar, testar e prever resultados.

UniPiaget- Como apresentar os dados.

A.L.L.F.- É difícil responder a esta questão pois não temos o devido enquadramento, ou seja, a apresentação de dados depende primeiramente do tipo de estudo e do tipo de dados que estamos a tratar, uma vez que a manipulação de determinados métodos requer uma apresentação específica de dados, por outro lado, o investigador deve ter sempre em consideração as preferências da revista na qual pretende publicar assim como as tendências atuais da sua área de investigação.

UniPiaget- UniPiaget- Fale da discussão e das aplicações práticas dos novos conhecimentos?

A.L.L.F.- Na discussão de um artigo, a fim de aumentar o seu valor metodológico, o investigador deve referenciar de que forma os conhecimentos ou teorias desenvolvidas no manuscripto têm aplicação no contexto do estudo, ou seja, as revistas dão preferência aos estudos que apresentam maior capacidade de replicabilidade nas respectivas áreas de investigação, daí ser fundamental desenvolver-se temas de investigação pertinentes e actuais.

UniPiaget- Como avalia a investigação científica em Angola?

A.L.L.F.- Na verdade, não tenho competências para avaliar a investigação científica em Angola. Aquilo que podemos verificar é a ausência das nossas Universidades nos principais rankings de qualificação das instituições internacionais, como por exemplo no https://www.scimagoir.com/ que é um dos mais referenciados, e que avalia mais de 8 mil instituições com base dos seus índices de performance e inovação científica.

As universidades têm um papel determinante no desenvolvimento das sociedades onde se inserem, e para alavancar essa responsabilidade é determinante a superação do seu corpo de professores/investigadores através da publicação científica em revistas indexadas. É importante referir que grande parte das publicações científicas advém de investigadores que estão em processo de doutoramento os quais têm a obrigatoriedade de publicar para avançarem com os seus projectos de investigação. Dessa forma, temos de olhar para o nosso enquadramento e tentar entender, de que forma, através do nosso processo de formação avançada de docentes, é possível desenvolver estratégias que permitam criar sinergias para a publicação científica nas universidades angolanas. A investigação científica em Angola, assim como em qualquer parte do mundo, dependerá sempre da exigência, determinação e auto superação das instituições de acolhimento (universidades) e dos seus respetivos integrantes (professores/investigadores). Não é de todo, um processo alheio a ninguém.

UniPiaget- O que influencia o ranking das universidades, principalmente as angolanas?

A.L.L.F.- Esta é uma questão quem tem sido amplamente debatida. As universidades angolanas regem-se pelos critérios de todas as outras universidades, neste seminário tivemos a oportunidade de abordar esta temática, os critérios mais utilizados como factor de avaliação são os seguintes (1) o ambiente de ensino: no qual é considerada a reputação do corpo docente, o rácio de graus académicos do corpo docente e a avaliação feita pelos estudantes de todo processo de formação; (2) o volume e reputação da investigação científica; (3) o número de citações dos artigos publicados pelos professores/investigadores da respectiva universidade; (4) a projecção internacional quer de pesquisas de professores/investigadores ou alunos da universidade; (5) Produção de tecnologia com transferência industrial. Como pode ver, a investigação está intrinsecamente associada em todos os domínios avaliados.

António Leopoldo Lopes Ferraz é Licenciado em Ciências do Desporto. É Mestre em Liderança e Gestão em Organizações, Doutorando em Ciências do Desporto e Investigador do Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano da Universidade da Beira do Interior, Portugal.

08 de junho de 2022